Atendimento via WhatsApp

Foto de Beatriz Alvarenga

Dra. Beatriz Alvarenga

Olá! Como posso ajudar?

fale conosco pelo
WhatsApp
WEB

Como funciona uma perícia judicial em processos envolvendo obras?

Em processos sobre infiltrações, rachaduras, erros de projeto ou serviços mal executados, fotografias e contratos podem não ser suficientes para determinar a origem do problema. Nessas situações, o juiz pode determinar uma perícia técnica no imóvel.

A perícia judicial é realizada por um profissional nomeado pelo juízo e busca esclarecer questões que dependem de conhecimento técnico ou científico. Em casos envolvendo obras, o perito normalmente possui formação compatível com o problema analisado, como engenharia ou arquitetura.

Quando a perícia pode ser necessária?

A perícia pode ser utilizada para esclarecer:

  • se existe um defeito na obra;
  • qual é a provável origem do problema;
  • se o projeto foi respeitado;
  • se houve falha de execução;
  • se os materiais eram adequados;
  • quando o problema provavelmente surgiu;
  • quais reparos são necessários;
  • quanto poderá custar a correção;
  • qual foi a participação de cada envolvido.

Ela é especialmente importante quando cliente, profissional e construtora apresentam explicações técnicas diferentes para o mesmo defeito.

Quem escolhe o perito judicial?

O perito é nomeado pelo juiz entre profissionais habilitados e cadastrados no tribunal.

O perito judicial não atua como representante do cliente, da construtora ou do profissional processado. Sua função é examinar tecnicamente os fatos e apresentar suas conclusões ao juízo.

Depois da nomeação, as partes podem questionar eventual impedimento, apresentar quesitos e indicar seus assistentes técnicos, conforme os prazos definidos no processo.

O que são quesitos?

Quesitos são perguntas técnicas apresentadas ao perito.

Em um processo envolvendo infiltração, por exemplo, podem ser formuladas perguntas sobre:

  • a origem da entrada de água;
  • a adequação da impermeabilização;
  • o cumprimento do projeto;
  • a existência de intervenções posteriores;
  • os ambientes atingidos;
  • os serviços necessários para correção;
  • o custo estimado dos reparos.

Os quesitos devem ser objetivos e relacionados ao problema discutido. Perguntas genéricas ou que envolvam conclusões exclusivamente jurídicas podem não ajudar na solução do caso.

O STJ já destacou a importância de que os quesitos e a indicação do assistente técnico sejam apresentados antes do início dos trabalhos periciais.

O que faz o assistente técnico?

Cada parte pode contratar um arquiteto, engenheiro ou outro profissional habilitado para atuar como assistente técnico.

Esse profissional pode:

  • analisar os documentos;
  • ajudar na elaboração dos quesitos;
  • acompanhar a vistoria;
  • apresentar informações técnicas;
  • avaliar os métodos utilizados;
  • analisar o laudo do perito;
  • elaborar parecer técnico;
  • apontar divergências ou pedir esclarecimentos.

O assistente técnico não substitui o perito judicial. Ele acompanha o trabalho sob a perspectiva técnica da parte que o contratou.

Como acontece a vistoria no imóvel?

O perito define a data e comunica as partes. Durante a vistoria, poderá inspecionar ambientes, fazer medições, registrar fotografias, analisar projetos e verificar os serviços executados.

Dependendo do problema, também poderá solicitar:

  • contratos;
  • projetos e revisões;
  • memoriais descritivos;
  • ARTs e RRTs;
  • notas fiscais;
  • registros de manutenção;
  • fotografias anteriores;
  • relatórios de reparos;
  • documentos do condomínio.

O imóvel deve permanecer acessível e, sempre que possível, nas condições necessárias para a identificação do defeito. Reparos realizados antes da vistoria podem dificultar a análise, especialmente quando eliminam as evidências.

O que é o laudo pericial?

Depois da análise, o perito apresenta um laudo ao processo.

O documento deve explicar o objeto examinado, o método utilizado, as avaliações realizadas e as respostas aos quesitos. O laudo pode indicar a origem provável do defeito, sua extensão e os reparos necessários.

As partes podem se manifestar sobre o documento e solicitar esclarecimentos. Se a matéria continuar insuficientemente esclarecida, o juiz poderá determinar uma nova perícia.

O juiz é obrigado a seguir o laudo?

O laudo possui grande importância, mas não decide sozinho o processo.

O juiz analisa a perícia em conjunto com contratos, mensagens, fotografias, depoimentos e demais provas. Também deve explicar os motivos pelos quais considera ou deixa de considerar as conclusões técnicas apresentadas.

Por isso, um laudo desfavorável não encerra automaticamente a discussão. Podem existir erros, omissões, respostas incompletas ou documentos que não foram corretamente analisados.

Quem paga a perícia judicial?

Normalmente, o perito apresenta uma proposta de honorários, considerando fatores como complexidade, especialização, local da vistoria e tempo necessário.

A definição de quem deverá antecipar o valor depende de quem pediu a perícia e das circunstâncias do processo. Quando a prova é solicitada por ambas as partes ou determinada pelo juiz, o custo poderá ser distribuído conforme a decisão judicial.

Nos casos de gratuidade da justiça, existem regras específicas para o pagamento com recursos públicos e tabelas estabelecidas pelo tribunal ou pelo CNJ.

O custo do assistente técnico contratado por uma das partes normalmente é independente dos honorários do perito judicial.

Laudo particular e perícia judicial são a mesma coisa?

Não.

O laudo particular é produzido por um profissional contratado pelo cliente, pela construtora ou por outra parte. Ele pode ser utilizado para registrar o problema, orientar reparos e fundamentar uma negociação ou processo.

Já a perícia judicial é conduzida pelo perito nomeado pelo juiz, com participação das partes, apresentação de quesitos e possibilidade de acompanhamento por assistentes técnicos.

O laudo particular pode ajudar na preparação do caso, mas não substitui automaticamente a perícia determinada pelo juízo.

É possível fazer uma perícia antes do processo principal?

Em determinadas situações, pode ser solicitada a produção antecipada da prova.

Essa medida pode ser útil quando o defeito precisa ser reparado rapidamente, existe risco de agravamento ou as evidências poderão desaparecer. A prova é produzida antes da discussão completa sobre responsabilidade e indenização.

O STJ reconhece que, mesmo nesse procedimento, não se deve eliminar completamente a possibilidade de participação e manifestação da parte contrária sobre a produção da prova.

Perguntas frequentes

Geralmente não. Porém, o perito pode solicitar acesso livre aos ambientes e a interrupção temporária do uso de determinadas áreas.

Testes destrutivos podem ser necessários em alguns casos, mas devem ser tecnicamente justificados e previamente organizados.

O prazo varia conforme a complexidade, a disponibilidade do profissional, a quantidade de documentos e a necessidade de testes ou esclarecimentos.

As partes e seus assistentes técnicos normalmente podem acompanhar, conforme as orientações do juízo e do perito.

Tem alguma dúvida?

Entre em contato que nossa equipe está pronta para te ajudar!

Solicite um
atendimento

Artigos

Quando arquitetos e engenheiros podem ser responsabilizados por problemas na obra?
Problemas em uma obra podem envolver erros de projeto, falhas de execução, materiais inadequados, ausência de manutenção ou alterações realizadas pelo próprio cliente. Por isso,…
Quais documentos são importantes para a defesa em um processo de obra?
Quando um arquiteto ou engenheiro é incluído em um processo relacionado a projeto ou obra, a defesa depende de uma compreensão clara sobre o serviço…
Arquiteto sendo processado: o que fazer ao receber uma citação judicial?
Receber uma citação judicial pode causar preocupação, especialmente quando o processo está relacionado a um projeto ou a uma obra realizada há algum tempo. Entretanto,…
Processo judicial por problemas em obra, reforma ou projeto: quais são os direitos do cliente?
Atrasos, abandono, erros de projeto e serviços mal executados podem transformar uma obra em um prejuízo financeiro significativo. Entretanto, antes de cobrar um profissional ou…
Qual é o prazo para processar por problemas em uma obra?
Ao identificar atraso, abandono, infiltração, rachadura ou erro de projeto, o cliente precisa agir rapidamente. Entretanto, não existe um único prazo para todos os processos…
Acordo extrajudicial ou processo judicial: qual é a melhor opção?
Quando uma obra está atrasada, abandonada ou apresenta defeitos, o cliente pode tentar resolver o problema por meio de um acordo extrajudicial ou iniciar um…
Problemas em obra sempre geram direito a danos morais?
Uma obra atrasada, abandonada ou mal executada pode provocar frustração, perda de tempo e prejuízos financeiros. Apesar disso, a existência de um problema na contratação…
Quais prejuízos podem ser cobrados em um processo envolvendo obra?
Uma obra atrasada, abandonada ou mal executada pode gerar despesas que não estavam previstas pelo cliente. Além do valor pago ao primeiro contratado, pode ser…

Não encontrou o que procurava?
Faça uma nova busca!

OAB/SP 428.659

Primeira Advogada Especializada na aplicação
do Direito na Construção Civil

+ 55 11 998353215
Atendimento das 9h às 18h

advogada@beatrizalvarenga.com.br

Entre em contato

Desenvolvido por Alexandre Custódio